sábado, 27 de março de 2010

Aldous Huxley e Machado de Assis: O Paradigma da Leitura Difícil



A forma de escrever, o estilo, a narrativa envolvente é produto de grandes leituras (e geralmente, grandes escritores são também grandes leitores). O poder de interpretar textos e imaginar-se num mundo diferente do real, utilizando-se dos infindáveis recursos da mente é um atributo dado somente àqueles que têm a coragem e a criatividade para pensarem além. Se dissessem para Lewis Carrol que suas idéias eram malucas e que desistisse de escrevê-las, e ele, creditado a verdade a tais pessoas desencorajadoras, não escrevesse Alice no País da Maravilhas, não presenciaria o sucesso e a beleza de sua obra. O que falta para os escritores iniciantes é encarar a escrita e o mundo, largar a chafurdice de opiniões alheias: porque, para se fazer um bom livro, é necessário abstrair-se deste mundo. Ora, estudar mitologia, psicologia, sociologia, jornalismo, antropologia, etc, é uma forma de atiçar a mente e a produzir textos belíssimos. Outro fator importante é a economia e a beleza das palavras. A língua portuguesa, por si só, é poética. Vamos a um exemplo: ao invés de escrever "são pensamentos que fluem" pode-se escrever "são pensamentos eflúvios", o que confere mais beleza ao texto. Outro exemplo: "sou o assassino de sua irmã", pode-se escrever "sou o algoz de sua irmã", ou, ao invés de "choraram em abundância e derramaram lágrimas de guerreiros", pode-se escrever "choraram copiosamente e verteram lágrimas de guerreiros". Muita gente reclama das "palavras difíceis" nos livros, dizem que Machado de Assis, Aldous Huxley e Nietzsche são "chatos". Ora, devemos agradecê-los, pois são eles que enriquecem nosso vocabulário e nos incitam a procurar verbetes no dicionário (para muitas pessoas, o dicionário parece ser "muito pesado", e abrir suas páginas torna-se uma tarefa cansativa). Leiam "O Gênio e a Deusa", de Aldous Huxley, e entenderão minha mensagem.

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