sábado, 17 de abril de 2010

O Absurdo da Existência


Albert Camus, escritor francês nascido na Argélia e ganhador do prêmio Nobel de Literatura em 1957, insere o absurdo da existência na obra que o consagrou: “O Estrangeiro”. Mersault, o personagem central e narrador do romance, recebe a notícia da morte de sua mãe logo no primeiro parágrafo do livro: “Hoje, mamãe morreu. Ou talvez ontem, não sei”. A partir daí o que se vê é o limiar da crise existencial: Mersault nada sente no funeral de sua mãe, comete um homicídio com uma frieza incalculável, é preso e levado a julgamento. No tribunal, o que assusta a todos não é o fato de Mersault ter matado um homem a sangue-frio, mas sim sua pertinente insensibilidade diante da perda da mãe. Quando finalmente condenado, continua a agir como se a vida não fizesse sentido algum, e isso fica evidente quando Mersault, na prisão, encontra-se com o capelão (padre) e narra: “Disse-lhe que não sabia o que era um pecado. Tinham-me apenas dito que eu era um culpado”. A filosofia existencialista de Camus pode parecer cruel aos leitores, mas torna-se suportável quando aceita-se o absurdo como a existência em si.

"O diretor olhou então para as pontas dos sapatos e disse que eu não quisera ver mamãe, que não chorara uma única vez e que partira logo depois do enterro, sem me recolher junto ao túmulo. Ainda outra coisa o surpreendera: a agência funerária lhe dissera que eu não sabia a idade de mamãe."
(Trecho do livro)

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