domingo, 25 de abril de 2010

O Pessimismo Como Forma de Enxergar o Mundo


Friedrich Nietzsche (1844-1900), filósofo alemão influenciado por Arthur Schopenhauer, era tão pessimista quanto.

Arthur Schopenhauer (1778-1860), filósofo alemão conhecido pelo extremo pessimismo.

É certo que vivemos num mundo onde, cada dia, fica mais difícil (para não dizer impossível) acreditar que tudo dará certo. Muitos corroboram que o otimista é nada mais que um pessimista mal informado. Schopenhauer e Nietzsche são símbolos do pensamento pessimista. Esses dois filósofos alcançavam o cerne do mal-estar que afligia (e ainda aflige) a humanidade. Schopenhauer era conhecido, sobretudo, pelo seu pessimismo em relação às mulheres. Tinha grande dificuldade em relacionar-se com elas. Quando, em um passeio num barco com uma jovem, deu-lha uma maçã, ela jogou no lago onde estavam. Consta dos arquivos sobre a vida do filósofo que a moça pensara: "Fingi que guardei no bolso, mas joguei a maçã no lago, pois não comeria algo que viesse das mãos nojentas do velho Schopenhauer". Daí, muitos estudiosos afirmarem que o pessimismo dele em relação às mulheres provinha de suas frustrações. Já Nietzsche era o verdadeiro "anticristo" (não a imagem da besta, mas o anticristo, que na Alemanha significa "anticristão"). Ele disse: "Deus está morto". Solitário, intropesctivo e com uma língua ferina, Nietzsche estava distante de ser humilde (vide sua autobiografia "Ecce Homo"). Tentou suicídio por várias vezes e no final de sua vida, enlouqueceu, esvaido-se na ilusão de que ora era Cristo ora era Dionísio (o deus do vinho e dos excessos). Quando comparados, nota-se algo em comum nesses homens: infelicidade. Muitas dizem que o pessimismo é nada mais que uma carapaça ou uma desculpa de homens incapazes de alçarem vôo aos seus sonhos. Outros conferem ao pessimismo o pensamento contíguo ao pensamento realista. Mas ao analisar o mundo como um todo, uma processo contínuo de desgraças (doenças, guerras, fome, depressão) não é possível tirar os créditos do pessimista. Certas coisas sempre darão erradas, nunca mudarão para melhor. Pois então, sendo frustrados ou não, os dois filósofos alemães tinham razão. Ou melhor: eles ainda têm.

4 comentários:

  1. Olá, amigo. David Gilmour/Aldous Huxley (Pink Floyd Rules!!!)

    Bem...
    Tenho eu que dizer que junto com Kafka, Dostoiévski e Kant, o velho carente Arthur e o niilista Der Antichrist foram os homens mais sensatos que já passaram por este mundo pestilento, violento, supersticioso e intolerante (pelo menos tenho certeza e provas suficientes de que eles existiram).

    Eu me identifico muito com Schopenhauer e suas desilusões amorosas, suas investidas desastrosas pela ciência, seu eremitério esporádico e suas sucessão de fracassos de todo jaez e também simpatizo muitíssimo mais com Nietzche e seu niilismo, ojerizando e abominando os valores pré-estabelecidos e as verdades ebsolutas, seu ateísmo militante e sua prolífica e abençoada visão pessimista que mais se traduz em realismo e sensatez do que somente negativismo ou birra de eremita-frustrado.

    Se há pessoas nas quais eu espelho minha forma de pensar é justamente neles e principalmente em Nietzche por ser tão radical e por causa disso já logrei muitos nomes de ateu, anticristo(título do meu tão amado herói), deturpador da ordem, moral e bons costumes, herege, mal-amado, maníaco-deprecivo e muitos outros menos publicáveis.
    Mas fazer o quê? Sou meio Hedonista e acho que é por causa dos impulsos nerds de sempre querer aprender investigar, questionar, por à prova e não aceitar as tão faladas "verdades absolutas" e valores cristãos desta sociedade de ovelhas ou galinhas de abate que coleciono estes adjetivos. Me vejo com uma pessoa por demais céptica.

    Mas vivamos a rir das ovelhas no curral berrando e se emparelhando tangidas por um cajado sem pastor.

    A propósito, bela postagem, muito instigante e pertiente.
    E agradeço-vos por estar a seguir-me.
    Até mais ver.

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  2. Um comentário de uma linha pra quebrar a "tradição" de falas quilométricas por aqui.

    ;)

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  3. Não podemos pensar que o fim não pode ter um começo.

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  4. Excelente texto! Não sei se me definiria pessimista. Acho que mais me define "as vezes infeliz" e consequentemente com maus agouros das coisas. Mas é fato que existem coisas que não virarão contos de fadas jamais! Sua incursão neste mundo foi feita com propriedade!

    Parabens e abraço!

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