domingo, 30 de maio de 2010

Percepção (Albert)

Caros leitores, desprendam-se da inanidade do cérebro e abram suas mentes para apreciarem o psicológico-filosófico poema de Albert, poeta do blog "Os Devoradores de Letras". Devoradores, uni-vos.

Vemos o amanhã, com os olhos de ontem
Ouvimos o que um dia não ouviremos mais
Provamos o gosto da vitória
Sentimos o cheiro da derrota
E por fim tocamos o infinito.

Nem sempre percebemos
o que podemos sentir.
Mas as vezes sentimos
o que os outros não percebem.

Pesadelo (Erik Luthor)

Com a força e o lirismo rimbaudiano, Erik Luthor, poeta e escritor do blog "Os Devoradores de Letras", expõe no maravilhoso poema a seguir todo o torpor e devaneio que há no pesadelo. Leiam e sintam a força da dor! Devoradores, uni-vos.

Venha sinta a força de minha morte
estupre minha alma e violente meu espírito
Não deixe meu grito cair no esquecimento
esfole seus joelhos implorando que eu renasça

Mas não faça dos meus sonhos realidade
não caminhe em brasas com sandalhas de gelo
não se olhe no espelho do banheiro da escola

É hora de ir embora
Adeus imagem! Adeus súplicas! Adeus vitória! Adeus mundo!
Adeus vida!

Sobre a estrada de espinhos reluzentes
feitas do ouro roubado dos Incas
caminhei com coragem e força
mas os demónios incompreensíveis
do silêncio das noites de inverno
me fizeram hibernar em sangue

E agora o teto tem flores
dores, cores e muitos amores
Numa inércia sem tamanho e forma

Venha sinta a força de minha dor!

Paradoxo da Incógnita Vivida (Jeff Araújo)

A única certeza que temos em vida é que um dia ouviremos a canção da morte. Jeff Araúfo, escritor e poeta do blog "Os Devoradores de Letras", discorre sobre nossa finitude de maneira magistral. Devoradores, uni-vos.

A morte quando decide nos abraçar,
faz com nossas esperanças
como se tivesse em mãos
eu torrão de areia,
deixando dissipar-se no ar
as pequenas partículas quase que invisíveis
que se esfarelam entre os dedos.

Um contra-peso nos é presenteado
pela graça do universo
num destino maravilhoso
que ainda nos lembra de estarmos vivos,
nos lembra de bons amigos
de amores passados e vitórias conquistadas,
servindo de alívio
para que possamos partir,
sem o manto melancólico da desgraça iminente.

Porém,
os poucos que percebem o intuito da graça,
caem na verdadeira desgraça,
sabendo que só são agraciados
para amenizar a dor da partida.

E a dor passa a se tornar
uma alegre vontade de viver,
só pra sentir vontade de morrer de novo
e largar para trás a tristeza
de uma vida vazia,
morrendo cada vez mais contente
a cada suicídio.

Atlântida (Leonardo "Hammerheart")

Neste onírico e feérico poema, Leonardo "Hammerheart", mais um grande poeta e escritor do blog "Os Devoradores de Letras", desbrava de forma sensacional a mítica Atlântida. Devoradores, uni-vos.

Guiado pelos ventos da ilusão
Eu velejei num barco de ironia
Banhado pelo sol do esquecimento
Procurei pela ilha da sabedoria

Mas uma tempestade de razão
Rasgou as velas da fé
E me afundou num mar de dúvidas
Onde fui levado pela maré

Com os olhos ainda fechados
Tentei me agarrar as rochas da mentira
Mas elas se desfaziam
Como areia enquanto subia

Durante incontáveis eras afundei
na dor, no desespero,
na agonia

Até que finalmente o solo encontrei

Alguém a mão me estendeu
“Abra seus olhos desbravador,
Pois na escuridão da verdade podes enxergar
E no frio da certeza podes caminhar.
Eu sou o ultimo dos sábios
E em minha casa conforto encontrará.”

Então, com olhos abertos,
O impossível vislumbrei
Uma cidade dourada reluzia
onde só água existia

“Que visão magnífica de um lugar surreal
Aos olhos de um mortal.
Seria isto Atlântida a cidade perdida?”

“De Atlântida alguns a chamam,
E de incontáveis outros nomes.”

“Mas insisto em indagar, oh ultimo dos sábios.
Atlântida não existe e nunca existiu
Como posso aqui estar?”

“Percebo que abre os olhos, mas
Reluta em enxergar, oh desbravador.
Estás a me indagar e não percebe onde estás.”

Então, com olhos abertos,
O impossível vislumbrei outra vez
Ao perceber a fauna medonha e abstrata
Que representava traços esquecidos
De minha sensatez.

O conhecimento então foi me revelado
Conhecimento que já possuía,
Mas havia a muito abandonado

“Então, quem és tu e
por que me acolhe,
Oh ultimo sábio?”

“Sou teu melhor amigo, teu irmão
E não faço por que quero ou
Por que devo.
Faço por que assim sou.

Agora chegou a hora de para teu caminho voltar.
Neste oceano não te perderás jamais
Porém nem vento, nem barco e nem vela terás.
Pois na verdade caminhará de olhos abertos
E nem mesmo o sol te iluminará.”

E assim voltei a superfície
Para ver o caos da ignorância reinar
Onde a felicidade dos tolos iludidos
Não conseguem a realidade observar.

Gravidez de Risco (Marcos Antonio)

A mente do ser humano é poderosa, e engendra-nos incomensuráveis quimeras. Devorem este psicológico e bem trabalhado texto de Marcos Antonio, parceiro do blog "Os Devoradores de Letras". Devoradores, uni-vos.

O QUE SERIA O NONO MÊS

No enterro de Marisa Miguel chorava bastante, chorava pela filha ou filho que perdeu e pela mulher que tanto pediu que ele fica-se com ela, sentia-se muito mal e nem uma palavra de amigos ou parentes podia fazer Miguel se sentir melhor, quando o caixão da jovem desceu na fenda aberta na terra ele sentiu-se pequeno demais para dizer qualquer coisa, olhou a mãe de Marisa e sentiu no olhar dela algo estranho, que não era raiva por ser ele a causa da morte da filha, era algo como pena, seus olhos diziam que não era sua culpa se Marisa tinha morrido com complicações no parto, os olhos da mãe dela diziam para ele não se senti-se assim por que a culpa não era sua, mais porque? A barriga e o neném que mexia constantemente, o amor de Marisa por ele e como ela sonhava em viver junto com ele, era culpa sua a morte dela, então porque os olhos de sua senhora mãe diziam que não?

OITAVO MÊS

- Como ela esta doutor? Miguel foi pela primeira vez ao hospital, estava tentando não se envolver com Marisa, tinha tido sérios problemas com ela durante o namoro, crises de ciumes, não só com amigas mais com primas suas também e agora se sentia mal por ela esta no hospital.
- Mal meu amigo, esta sangrando muito, sente contrações horríveis, só que tem um problema, é Miguel não é?
- Sim, me conte tudo doutor ontem ela brigou comigo por causa de uma namorada nova minha e sinto que a culpa e minha... o doutor interrompeu ele bruscamente segurando seu braço
- Um pouco é assim meu amigo mais não do jeito que você imagina tenho que te falar que....
- Doutor. - gritou uma mulher no fim do corredor. - E a Paciente 35. - Era a marisa e Miguel já sabia disso. - Ela esta tendo convulsões. O medico correu e Miguel correr atrás do medico ate Chegou a ver Marisa em cima da cama segurando a barriga enorme, suava e chorava os lençóis de sua cama molhados de sangue, ele ia entrar no quarto mais foi impedido por dois enfermeiros, muitas pessoas correram pelo corredor para o quarto de Marisa, depois gritos e mais gritos, e logo uma maca para levar ela para a UTI, ao sair ela olhou para ele com olhos de tristeza de que Miguel se lembraria para sempre, sempre que tentasse dormir, sempre que ouvisse uma criança chorar.

ANTES
- Quem e esta vagabunda Miguel? - gritou com Miguel que estava sentando perto de uma lanchonete comendo lanche com uma mulher alta e morena. - Eu sofrendo com este filho seu e você saindo por ai com estas piranhas. - Miguel levantou.
- Marisa tenha calma pode prejudicar o bebe, esta e minha namorada.
- Namorada. - gritou Marisa. - Você tem que ficar comigo eu sou sua mulher seu porco eu posso te amar ela não. - as pessoas na lanchonete começara a olhar para a cena.
- Amor. - disse a outra mulher.
- Amor a pulta que te pariu. - cuspiu Marisa começando a chorar.
- Eu vou esperar em casa depois você me liga.
- Vai ligar para dizer que acabou tudo. - gritou outra vez e quando a mulher já estava longe se virou para o ex-namorado. - Miguel, por favor eu te amo, você nunca vai ser feliz com este zinha ae, pelo amor de Deus pense nisso eu.... chorava muito e neste momento levou a mão a barriga e começou a gemer.
- O que foi Marisa? - tentou segurar a mulher que gemia de dor.
- O nené esta mexendo muito, estou sentindo muita dor, acho que estou sangrando. -olhou nos olhos de Miguel. - Acho que vou perder o bebe.
- Fique aqui eu vou buscar um carro.

ANTES
- O caso esta ficando grave. - disse o medico para o parceiro enquanto Marisa estava na sala ao lado. - Esta sentindo dores e contrações.
- Estaria com Nove meses? Perguntou o outro.
- Não oito, fizemos varias ultrassons que ela não quer vê, acho que sua mãe vem buscar ela hoje depois que eu der alta então vou conversar com ela, o caso desta garota me preocupa muito, muitas complicações
- A você como medico, eu como um psicologo
- Oi filha. - disse sua mãe entrando no quarto enquanto a filha com a barriga enorme estava deitada. - Vamos embora que os médicos lhe deram alta, o que foi filha parece triste?
- Miguel não veio me visitar nem uma vez mãe.- sentou-se na cama.
- Não veio mais ia e ligava lá em casa para saber de você e de seu bebe.
- Dona Marta. - A mãe de Marisa se virou e viu o medico que cuidava Da mulher. - Posso falar com a senhora um pouco. A mãe de Marisa saiu do quarto E ficou do lado de fora conversando com o medico por muito tempo, Marisa chegou a ver lagrimas no rosto da mãe e não sabia o porque só percebeu que quando voltou estava diferente de quando chegou mais cedo, Marisa teve medo por seu bebe mais nada falou ou perguntou para a mãe.

FINAL DO SETIMO MÊS

- Mais eu achei que estávamos nos acertando, ainda a hoje conversamos sobre o Bebe. - disse Marisa olhando nos olhos de Miguel que parecia um pouco desapontado.
- Não Marisa não vamos ficar juntos mais eu quero que entenda isso, não digo que não fomos felizes mais eu... eu não te amo.
- Mais eu te amo Miguel eu posso amar por nois dois.
- Não Marisa isso não existe, já te disse, já conversamos sobre isso por favor esquesa, eu vou sim te ajudar com o bebe, e vou comprar o berço semana que vem mais não. - enfatizou a frase. - Não vamos ficar juntos mais.
- Quando vamos ter outra ultrassom? Perguntou tentando mudar de assunto.
- Não sei, eles fazem uma por semana eu não aguento mais ir nestes vários médicos incluindo este psicologo que fica peguntando sobre minha vida.
- Mais e melhor você ir complicações na gravidez são perigosas. - percebeu que falar de complicações e riscos não era bom e mudou de assunto outra vez depois de uma longa pausa - Já escolheu um nome?
- Sim tenho algumas..... - sorriu e bateu com a mão na perna procurando as palavras certas.
- Opções?
- Isso o que você acha de...?


SETIMO MÊS

- Você conseguiu descobrir se nosso filho e homem ou mulher Marisa? Miguel perguntou encostado no portão da casa de Marisa.
- Não meu querido, já fiz ultrassom trés vezes e não conseguem ver o sexo. - A barriga já começava a ficar pontuda. - Minha mãe acha que e um menino ela quer ir nas consultas mais eu acho melhor eu ir sozinha, acho que este e um momento só meu.
- Eu queria poder ir mais trabalho tanto, eu vou comprar algumas coisas Marisa, roupas calçados para a crianças, e queria que você fosse comigo.
Marisa sorriu com vontade, achando que aquele era um sinal que Miguel voltaria para ela, neste instante o nené mexeu dentro dela e ela sorriu.
- Esta mexendo Miguel, poe a mão.
- Eu ponho Marisa mais o bebe nunca mexe para mim.


QUINTO MÊS

- Qual o problema doutor? Marisa olhava para o medico com um pouco de medo.
- Sua barriga esta crescendo. - Disse ele com um tom carrancudo na voz. -Você sente seu bebe mexer?
- Sim eu sinto, mais não e sempre, só quando eu como o neném se mexe mais, o miguel foi la em casa ontem daí o neném mexeu. - Marisa sorriu. - Ele quase saltou doutor.
O medico olhava para a barriga e para a fita métrica a mulher deitada sorria tocando a barriga que crescia.
- E tem esta veias surgindo, são estrias meu deus que estranho isso, você se sente bem?
- Sim, e com muita fome doutor. - sorriu um pouco. - O Senhor esta preocupado doutor o que e que esta havendo?
- Acho que não e nada mais vamos fazer um ultrassom ta bem?
- Sim, o senhor acha que da para ver o sexo já doutor? A pergunta ficou souta no ar.

TERCEIRO MÊS

- Doutor ontem eu senti o bebe mexer pela primeiras vez, eu não acho que seja necessária esta consulta, estou tão bem com meu filho.
O outro homem careca com uma prancheta na mão ouvia e perguntava eventualmente.
- Sabe eu penso no futuro com meu marido. - disse ela. - eu sei que Miguel vai voltar para mim e que vamos ficar juntos para a vida toda, sabe como eu conheci ele? Eu estudava na mesma escola que ele e me apaixonei, e um homem lindo, sincero e foi o primeiro homem da minha vida, eu o amo tanto e este filho vai nos dar muitas alegrias.
- Me diga Marisa. - o medico falou. - A que horas seu bebe mexeu ontem?
- Foi quando liguei para Miguel para falar que sentia saudades. Sabe doutor eu me sinto sozinho, tem minha mãe que me da carinho, tem meus irmãos mais eu quero mesmo e Miguel, me apaixonei por ele a dois anos e não sei viver sem ele.

SEGUNDO MÊS

- Oi Miguel, eu achei que você iria me visitar ontem a noite. - disse ela sentando-se ao lado dele em um banco da praça perto da casa dos dois.
- Desculpe Marisa mais eu não podia ir ver você, estava muito ocupado na funilaria e você sabe como e que ficamos quando tem muita encomenda.
- Mais e nosso filho Miguel. - o sol estava muito quente e o grande Miguel suava e as vezes tocava a camisa para desgrudar ela do corpo. - Nois vamos ser pais temos que cuidar desta criança, temos que ficar juntos sabe e melhor para as crianças que o pais fiquem...
- Olha só Marisa, eu não vou deixar você na mão, e este filho vai ter um pai isso eu te garanto mais não vamos ficar juntos, eu penso que e melhor você não me procurar mais a não ser que tenha algum problema com a criança, para falar sobre a criança - Miguel se levantou e saiu andando sem olhar para trás.
- Nois vamos ficar juntos. - disse tocando a barriga. - Quando nosso bebe nascer ele vai se comover e voltar para mim.


PRIMEIRO MÊS

- Nossa marisa e quando você contou para ele que estava gravida como ele reagiu? Perguntou uma amiga intima ao saber da gravidez de Marisa. - Vocês terminaram faz duas semanas e agora descobriu que esta gravida, me diga como se sente?
- Bem. - estavam sentados na cama no quarto de Marisa. - Mais ainda não sinto mudar nada no meu corpo ainda estou menstruando mais minha mãe disse que isso acontece mesmo as vezes, fiz o teste da farmácia ontem a noite e deu positivo, fui ao medico e deu positivo.
- E porque você esta indo no psicologo?
- E para cuidar da gravidez afinal de contas eu sou de menor e os médicos acham que agente não tem nada na cabeça. - as duas sorriram.
- Mais me diga uma coisa Marisa. - Silêncio lá fora uma chuva fina começava. - Você engravidou só para ficar com Miguel, só para ele casar com você não foi? Achou que a resposta não viria mais veio calmamente.
- Sim, eu percebi que nosso namoro estava decaindo, então comecei a sumir com as camisinhas, a agir de forma a nunca conseguimos uma, e nada, nada ate que ele terminou comigo, eu sabia com minha mãe foi assim, meu pai ficou com ela só porque meu irmão ia nascer e vejam isso estão casados a vinte anos, então senti que estava gravida.
- Como?
- Não sei eu simplesmente sabia que estava, fiz o teste de farmácia e deu positivo, e o medico confirmou.
- E o teste?
- Joguei fora. - do lado de fora um trovão cortou o céu assustando a amiga de Marisa que choraria em seu enterro alguns meses depois culpando Miguel como tantos outros pela morte da garota.

ANTES
A mulher baixa entrou no consultório enquanto o homem olhava seu prontuario, franziu a testa quando leu tudo sobre a mulher, fez sinal para que ela sentasse e começou a falar.
- Me chamo Ronaldo, o seu ginecologista esta de férias e eu vou cuidar de você hoje você fez um exame não é e eu tenho aqui o resultado, eu devo dizer que você, Marisa esta...
- Não precisa me dizer doutor eu já sei que estou gravida, alias conversei com a enfermeira e ela confirmou minha ideia, o exame de farmácia que fiz ontem deu certo e de hoje também, nossa quando meu amor souber. - disse ela apoiando o queijo na mão.
- A enfermeira disse que a senhora esta gravida? O medico ficou olhando um pouco para a mulher, e falou mais um pouco com ela, contou-lhe tudo sobre seu quadro clinico e falou-lhe a verdade mais ela pareceu não ouvir, falou mais ainda para ver se chamava atenção dela mais nada.
- Eu vou receitar alguns para você, também vai passar por um psicologo, eu fiquei sabendo que sua vida amorosa não esta tão boa assim. Olhou nos olhos dela.
- Não estava mesmo, eu e o Miguel estávamos brigando muito mais agora com o nené vamos parar de brigar, eu e ele nascemos um para o outro sabe? e vamos viver felizes com nosso filinho ou filinha. Tocou a barriga com carinho.
- Muito bem vamos cuidar de você, não se esqueça destas consultas e você vai ficar boa.
- Mais eu não estou doente doutor só estou gravida. E sorriu um risso que contagiou o medico.
- Marisa eu vou falar outra vez, você vai passar por um psicologo porque você não esta gravida tudo isso e coisa de sua cabeça, talvez por você achar que um filho possa segurar seu ex-namorado Miguel. Ela olhou dentro dos olhos do medico e por um minuto pareceu acordar daquele sonho, em fim disse.
- Acha que eu vou ter problemas de pressão ou algum tipo de problema causada pela gravidez doutor? O medico respirou fundo e anotou em seu prontuario a situação da jovem de problemas mentais, e fez o encaminhamento para o colega psicologo

Mais Alto Que a Raiva (Paulo Tobias)

É com enorme prazer que trago para este humilde blog um poema visceral que nos leva à mais profunda reflexão social, e, nas entrelinhas, à reflexão existencialista. O texto foi escrito por Paulo Tobias, grande parceiro do blog "Os Devoradores de Letras". Caríssimos leitores, sentem-se nesta farta e suntuosa mesa poética e devorem os inebriantes versos a seguir. Devoradores, uni-vos.

Hei, nós nos vendemos para o crime
alimentamos a burrice
reelejemos os devastos
mais traiçoeiros do que ratos

Hei, corrupção e a maldade
o crescimentoda cidade
a hierarquia sob o poder
entre lucifer

O caos no dominio
trocando ouro por filho
um paraiso embargado
o sangue jovem corrompido
pelo poder

Hei, mais outro dia pela sorte
a moradia na mesma ponte
desabrigados na avenida
as limosines em brasilia

Hei, os nossos filhos sem futuro
os traficantes tem o mundo
as prostitutas condenadas
o homen santo vem a caça

O caos no dominio
trocando ouro por filho
um paraiso embargado
o sangue jovem corrompido
pelo poder

Mais vultos na historia
a paz passou da hora
o sol ficou mais lento
a raiva chegou mais cedo

Hei, sobrecaidos na estrada
a pátria amada não é nada
seus deputados moribundos
a maldição do nosso mundo

Hei, mais uma fila nas esquinas
homens se matam por bebidas
os homens tolos no poder
entre lucifer

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Piratas do Vale do Silício



O Homem é o Lobo do Homem

O filme “Piratas do Vale do Silício” mostra um lado execrável e sujo dos homens: a coragem em vilipendiarem uns aos outros. Não é um mau sem um motivo aparente, é pura competição; busca por dinheiro. Steve Jobs, criador da Apple, empresa de informática, se distanciou dos conceitos moralistas ao copiar os modelos da Xerox para criar o primeiro Mac OS. Jobs sempre foi muito humano, devido aos seus defeitos. Sua genialidade, que era um dom, também era sua dor. Ele fazia o estereótipo do gênio incompreendido, devido às suas idéias avançadas para a época. Steve era seu próprio lobo, além de Bill Gates, é claro.
Gates, que hoje é um dos homens mais rico do mundo, conseguiu essa fortuna ao copiar os protótipos da Apple. O homem é o lobo do homem. A Apple roubou o projeto da Xerox, e a Microsoft roubou a Apple. A evolução no mundo da informática se deu através de roubos. A matilha humana evolui as idéias e involui a moral e a ética. Desde jovem, Jobs queria desbancar a tão poderosa IBM, pois a considerava ultrapassada. No começo da Apple, Steve tinha uma maneira particular de incentivar seus funcionários: humilhava-os. Ele possuía uma ganância muito grande de chegar ao topo, e por isso condenava seus funcionários menos eficazes, e chegava a fazer isso em voz alta, com as piores ofensas possíveis. Era o lobo uivando mais uma vez.

Apple e Microsoft

O filme retrata a trajetória da Microsoft e da Apple, o surgimento do DOS de Bill Gates (ele inventara que tinha um DOS para a IBM, quando na realidade queria ganhar tempo para tentar comprar um já elaborado e modificá-lo) e a história de duas forças propulsoras da informática: Steve Jobs e Bill Gates. Mas o filme dá ênfase no sentimento de vingança, de desespero, de fraqueza humana e de ganância. Gates se alia à IBM para tentar desbancar o império de Jobs, que se torna uma celebridade arrogante e sem escrúpulos da noite pro dia. Engraçado é que foi Bill Gates quem elaborou a linguagem de programação para Jobs. Gates foi simplesmente ignorado por Jobs, o que aumentou em muito o seu desejo de vingança. Gates rouba o projeto do primeiro computador pessoal elaborado pela Apple: o Macintosh.
Ao final do filme, a Microsoft compra parte da Apple, e Bill Gates desbanca Jobs, concluindo assim sua vingança. Mas eles aliam-se em prol da tecnologia e formam uma poderosa aliança. Os lobos unem-se em prol de uma causa. A Apple demite seu criador. Porém, por ironia do destino, Jobs é contratado pela Apple como consultor para salvá-la da falência. E ele consegue. Enquanto isso Gates desenvolve o Windows e revoluciona o mercado.
Regenerado, Gates hoje movimenta projetos filantrópicos, em especial nas pesquisas sobre a AIDS e outras doenças que atingem o terceiro mundo. Em suma, O homem é o lobo do homem, mas se todos se unirem, o homem pode ser a formiga do homem, pois a formiga, apesar de pequena, tem uma das sociedades mais organizadas e justas do reino animal, enquanto que na sociedade humana temos lobos e escorpiões também. Escorpiões são canibais, ou seja, comem de sua própria espécie. O homem não é tão diferente dos escorpiões. Infelizmente.

A Genialidade (Sempre) Tem Seu Preço


Algumas mentes inquietas como Vincent Van Gogh, Virginia Woolf, Isaac Newton e Fernando Pessoa eram bipolares, ou seja, possuíam transtorno bipolar do humor. Esse distúrbio psicológico é caracterizado pela acentuação extrema do humor: o bipolar vive em constante euforia e depressão. Interessante notar que muitos bipolares possuem elevada imaginação e criatividade. Foi pensando nisso que escrevi a crônica "A Genialidade (Sempre) Tem Seu Preço". Ei-lo:

Dois irmãos decidiram se tornar escritores. Eram tão unidos que o pai, um famoso intelectual, apelidou o mais velho, que tinha 14 anos, de Prometeu, e o mais novo, de 12 anos, de Epimeteu, aludindo aos irmãos da mitologia grega. Saídos da adolescência e recém-chegados à fase adulta, resolveram discutir sobre o desenvolvimento que tiveram como escritores.
Logo no início do colóquio, Prometeu mostrou-se indignado:
— Não entendo, eu escrevo tanto quanto você, Epimeteu, e papai disse, sem eufemismo, que você é um prolífico gênio literário e eu sou um escritor mediano.
— Eu tenho transtorno bipolar do humor - disse Epimeteu, com uma calma que beirava à lassidão.
Prometeu franziu o cenho:
— Epimeteu, assim não vale, você está jogando sujo, trapaceiro, celerado! Vou contar pro papai...

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Perda de Sentido


Não entendo a hemorragia cerebral
De pensarem que somos seres especiais
Caixa craniana
Pulmões
Carne maleável
A complacência senil
O impulso adolescente
Órgãos escravos das circunstâncias
Escritor arraigado em fluxos de consciência
Desejos animais, vulgo sexuais
Centelhas de esperança
Frêmitos de desespero
Olhos latentes de alcoolismo
Corpo cansado
Vista cansada
O barulho do bar
O marulho do mar
A vida esquecida
Humanidade empedernida
O sono como prefácio da morte
Má-fé confundida com sorte
O empirismo
A metafísica
Epistemologia
Onde está o sentido?
Não há sentido
Quando procuramos um sentido para a vida
Ela perde o sentido...