segunda-feira, 28 de junho de 2010

21 de Março - Dia Internacional da Luta Contra a Discriminação Racial



Política de cotas para negros é questionada por universitários

No dia 21 de março de 1960 a ONU instituiu o Dia Internacional Contra a Discriminação Racial. Apesar da data, universitários não enxergam motivos para comemoração. Com o advento das cotas a partir de 2001, houve significativo aumento no número de estudantes negros nas universidades federais, mas muitos universitários afirmam que esse sistema aumenta a discriminação. O critério para a criação do sistema de cotas, segundo o governo, é a dificuldade do negro entrar no mercado devido à humilhação histórica sofrida durante séculos de preconceito.

Polêmica

Para Luciana de Deus Souto, estudante de Jornalismo, o sistema de cotas é uma das várias formas de discriminação racial: “por que a cor da pele deve privilegiar uma pessoa? A questão em si já é preconceituosa.” Muitos indivíduos do meio acadêmico detêm um pensamento igualitário entre etnias, e afirmam que a criação desse sistema agrava ainda mais a questão do preconceito. A universitária Anaterra Oliveira é a favor de um sistema de cotas que possua outra realidade: “não precisamos de cotas para negros e sim para estudantes de escolas públicas. Devemos competir igualmente, o que precisa ser avaliado é a questão da educação pública no Brasil, ela sim deve ser melhorada para que os alunos possam competir de igual para igual nas universidades federais, pois o ensino particular acaba qualificando mais seus alunos.”
A universitária Pâmela Luciene tratou o assunto com maior profundidade: “eu acho a questão de cotas para negros algo falho. Quem não se recorda do caso dos irmãos gêmeos onde um foi aprovado e o outro não?” Pâmela refere-se ao caso dos gêmeos univitelinos Alan e Alex Teixeira da Cunha. Em 2007, os irmãos se inscreveram para o sistema de cotas, mas apenas Alan passou pela seleção da Universidade de Brasília (UnB).

Diferente Ponto de Vista

André Luiz Fernandes da Cunha, Mestre em História Cultural, contraria o pensamento de grande parte dos universitários. André prefere manter o foco nos pontos positivos proporcionados pelo sistema de cotas: “sou a favor porque quase não vejo negros em profissões como médico, engenheiro ou cientista. Ironicamente, os negros, apesar de serem mais pobres, pagam mais para estudar, pois poucos conseguem entrar em cursos concorridos de universidades públicas e acabam em faculdades particulares. É curioso que, no Brasil, a maioria das pessoas que estudam de graça são justamente aquelas que podem pagar, ou seja, os que estudaram em colégios bons e caros, e se prepararam para o vestibular. A sociedade brasileira é complexa e tem várias idiossincrasias.”
O professor admite que a adoção do sistema de cotas estimula a discriminação, mas afirma que esse sistema tem o importante papel de fazer uma reparação histórica: “durante séculos o Brasil viveu sob o jugo da escravidão, e essa cicatriz ainda não se fechou, pois qualquer pesquisa indica que os negros são mais pobres que os brancos. Se ela estimula o preconceito, também estimula o debate e motiva a sociedade e encarar seus problemas de frente. Se quisermos que os negros se insiram pra valer no mercado de trabalho, precisamos criar mecanismos. A ‘cota’ é um deles.”

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